sábado, 15 de febrero de 2025

Da Natureza dos Afetos

 

Da Natureza dos Afetos

Collective exhibition

Casa da Avenida

15.02.2025


Desinflamatório

 

In Desinflamatorio, MAx Provenzano appears in a black suit alongside an 85 cm globe, establishing a tense relationship between the body and the world. The performance unfolds as a living metaphor for the planet’s current condition, marked by climate crises, geopolitical conflicts, and forced displacements. The inflated surface of the globe acts as a fragile, vulnerable extension of the global environment, evoking the precariousness of ecosystems and the instability of human borders.

MAx manipulates the globe with gestures oscillating between care and friction, suggesting how human forces influence, shape, and simultaneously wear down the Earth’s symbolic structure. This gesture resonates with other works in his career, where the body becomes a device mediating between personal experience and collective tensions, exploring the duality of being both subject and object, observer and observed.
The black suit serves as a neutral canvas, stripping the body of specific references to focus attention on the action itself and its symbolic weight. The act of inflating, deflating, or simply holding the globe becomes a silent choreography reflecting the tension between control and loss, expansion and collapse, the personal and the collective. This dynamic echoes themes of migration and mobility present in MAx’s work, where constant movement is both a physical act and a metaphor for adaptation and resilience.

After the performance, MAx encapsulates the deflated globe and presents it in the exhibition as a slide or capsule of the world, a material remnant that condenses the memory of the act and its symbolic weight. This gesture transforms the object into an archive of planetary fragility, a visual echo of how human actions leave indelible marks on global memory.

jueves, 16 de enero de 2025

< vertebral >

 

<vertebral>

MAx Provenzano

Espaço Santa Catarina

16/01/2025

19:00

<vertebral> is an exhibition by visual artist MAx Provenzano @maxprovenzano that explores insomnia as a medium of execution within the creative process, highlighting its ability to fragment time and sharpen perception. Through sculptures, video projections, and slides in a darkened space, the show invites viewers to immerse themselves in a sensory landscape where images become the vertebrae of a fragmented and ambiguous mental state. Darkness acts as a frame that amplifies the tensions between wakefulness and sleep, generating a dialogue between the body, mind, time, and suspended space.

Design @a__fns

Special thanks:

@parei_e_olhei and @atelierarteria

@venusatlisbon

@a__fns

@del_baul_el_betun_

< vertebral >

 Darkness not only frames the works but also invites the viewer to inhabit the space as a body in transit, stripped of certainties, navigating between lights and shadows that evoke the vertebral architecture of the body and thought.

<vertebral> is an exhibition by visual artist MAx Provenzano @maxprovenzano that explores insomnia as a medium of execution within the creative process, highlighting its ability to fragment time and sharpen perception. Through sculptures, video projections, and slides in a darkened space, the show invites viewers to immerse themselves in a sensory landscape where images become the vertebrae of a fragmented and ambiguous mental state. Darkness acts as a frame that amplifies the tensions between wakefulness and sleep, generating a dialogue between the body, mind, time, and suspended space.






    














sábado, 21 de diciembre de 2024

[ cargo ]

 





[cargo]

MAx Provenzano

PERFORMANCE INSTALATIVA → LISBOA

Inserido no ciclo de performance, vídeo e literatura realizado pela Galeria Ana Lama, com o nome de código FEA, Fake ExtremeArt, vai realizar-se a 𝐩𝐞𝐫𝐟𝐨𝐫𝐦𝐚𝐧𝐜𝐞 [𝐂𝐚𝐫𝐠𝐨] de MAx Provenzano (Venezuela/Portugal) no P28, em Lisboa.

[Cargo] é uma performance instalativa, ou um ambiente de happening, na qual o corpo humano do performer será confrontado com a força industrial de uma empilhadora.

Podemos esperar também que a ação de Provenzano crie um diálogo com o realizador João Ramos, responsável pela documentação e pela criação de uma videoperformance baseada nesta apresentação ao vivo. Será uma oportunidade para MAx Provenzano explorar, mais uma vez, a transitoriedade da matéria e a relação dinâmica entre o seu corpo, o espaço e a identidade.

+info: https://www.galeriaanalama.org/

https://www.dgartes.gov.pt/pt/evento/8048

APOIO Direção-Geral das Artes

@galeria_ana_lama Fake Extreme Art

@joaorawos realizador do video

@pvinteoito P28

@provenstudio

image

Lisboa, Portugal






[ cargo ]

 


FICHA ARTÍSTICA:
PERFORMANCE: MAx Provenzano
CURADORIA: Nuno Oliveira e Margarida Chambel
REALIZAÇÃO VÍDEO: João Ramos
APOIO TÉCNICO: Isabel Simões
APOIO VÍDEO E COMUNICAÇÃO: Gabriel Marmelo
APOIO COMUNICAÇÃO: Luísa Morante, Teresa Melo
REVISÃO DE TEXTO: Joaquim E. Oliveira
TRADUÇÃO: Maia Horta
APOIOS: República Portuguesa - Cultura DGARTES; Câmara Municipal de Lisboa; Polo Cultural das Gaivotas; P28 – Associação de Desenvolvimento Criativo e Artístico

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LOCAL, DATA E HORÁRIO DE APRESENTAÇÃO:
Galeria do Pavilhão 31 Hospital Júlio de Matos
21 de dezembro, 2024 19h00
 

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INFORMAÇÕES SOBRE BILHETEIRA:
Entrada livre Lotação limitada.
Reservas: galeriaanalama@gmail.com

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CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA:
M/16
 

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LINKS PARA SITE:
https://www.facebook.com/galeriaanalama

https://www.galeriaanalama.org

DESCRIÇÃO / SINOPSE:

Uma bola de papel amassada, pronta para ir para o lixo.

Ana Lama ainda pensou criar uma espécie de texto ensaístico introdutório para apresentar a performance de MAx Provenzano [Cargo] na Galeria do Pavilhão 31, do P28. Mas não estava a ver como agarrar o tema.

MAx Provenzano é um importante artista conceptual venezuelano nascido em 1986, atualmente a viver em Portugal. É conhecido pelas suas intervenções em performance, instalação e fotografia.

O seu trabalho foi apresentado em diversas exposições e residências internacionais, como a Galerie 21, na Alemanha, e em festivais de performance, como o Starptelpa, na Letónia.

Este percurso valeu-lhe também reconhecimento em publicações e prémios na cena artística contemporânea. Provenzano foi incluído em publicações como Contemporary Art of Venezuela Vol.2 e Emergency Index, que documentam práticas artísticas tanto emergentes como estabelecidas.

Entre as suas intervenções, destaca-se a exposição «El Tercer Mundo» (2015), no Museu de Arte de Valência (Venezuela), que foi vandalizada devido ao conteúdo crítico sobre as relações de poder entre a China e a Venezuela, tornando-se um testemunho da força e compromisso do artista com as questões sociopolíticas. É de destacar que, por exemplo, o trabalho de MAx Provenzano é referido na dissertação de Jair José Gauna Quiroz «Censura das memórias subterrâneas nos museus de arte», nas exposições «El Tercer Mundo» e «Queermuseu», sobre a obra de MAx Provenzano».

Ana Lama (a curadora) ainda pensou criar uma espécie de texto ensaístico sobre MAx, mas, a meio do processo, viu-se sem forças nem ferramentas teóricas para atacar o assunto. O trabalho de MAx Provenzano cruzava múltiplas dimensões num contexto complexo de discussão sobre liberdade de expressão em espaços museológicos e artísticos, configurando um contexto de trauma na arte contemporânea.

Era difícil escrever sobre o trabalho de MAx Provenzano. Para Ana Lama, lidar com um trabalho que trazia toda uma carga dramática distinta da dimensão a que estava habituada era desafiante. Ela existia num meio artístico repleto de liberdade, um meio no qual só mais do que um sussurro poderia incomodar.

Uma curadora engana-se.

Uma bola de papel amassada, pronta para ir para o lixo.

Inserido no ciclo de performance, vídeo e literatura realizado pela Galeria Ana Lama, com o nome de código FEA, Fake ExtremeArt, vamos realizar uma performance no P28 com MAx.

performance [Cargo] de MAx Provenzano (Venezuela/ Portugal).

[Cargo] é uma performance instalativa, ou um ambiente de happening, na qual o corpo humano do performer será confrontado com a força industrial de uma empilhadora.

Ana Lama pediu-me que escrevesse este texto de divulgação em seu nome. Não se via com coragem para atacar o caracol pelas antenas. Ana Lama comentou-me que não se sentia com direito de falar de política. Explica que foge das questões políticas por força dos seus ataques de pânico…

MAx Provenzano, na performance [Cargo] que iremos ver no sábado, aborda dimensões como identidade queer, a condição de emigrante ou a desumanização do trabalho.

Uma bola de papel amassada, pronta para ir para o lixo.

Ana Lama recusa escrever este texto de divulgação, deixando- me a tarefa a mim, o menos preparado para tal coisa. Tem horror à pornográfica materialidade da política, «diz», seja essa coisa da materialidade da política o que for… Estou a falar aqui demasiado da curadora, do tema das questões da organização do evento, e menos do artista que pretendemos seja recebido da melhor maneira possível.

Ana Lama não é capaz de enfrentar um texto de divulgação… O trabalho de MAx Provenzano… Talvez a justificação desta indecisão curatorial de Ana Lama possa ser… talvez se complexifique na sua retórica demasiado justificativa… pode ser que, falando das reservas de Ana, dos problemas que tem em escrever, da sua paranoia analítica, pode ser que, falando desse assunto, cheguemos à obra de MAx.

Ana Lama, como se sabe, além de curadora é também romancista, pioneira num tipo de escrita. Ana e Michel Houellebecq representam o expoente máximo de uma tentativa de escrita que se projeta, hoje, enquanto terror materialista.

Para ela, o materialismo é o verdadeiro destruidor da intimidade e da espiritualidade humanas. A autora transmite-nos uma visão de mundo predominantemente niilista e hedonista, numa Europa pós-moderna e pós-cristã.

Este «horror materialista» de Ana surge quer em textos de ensaio sobre artes visuais, quer em romances. Evoca conceitos filosóficos e estéticos que descrevem e amplificam a decadência moral e social contemporânea, obrigando-nos, na sua leitura, a suportar o exílio enquanto manifesto de ficção.

Obriga-nos Ana, no seu terror materialista, a um exílio forçado, nas suas descrições carregadas de amargura, de uma impossibilidade física e psíquica do real. Somos empurrados, na sua leitura, para uma dimensão surrealizante de paz. Para ela, só a dimensão de mentira e ficção se torna pacífica; somos enterrados no mundo da ficção, um lugar onde não pedimos para estar e onde percebemos o artifício.

Uma bola de papel amassada, pronta para ir para o lixo.

Ela apresenta-se como uma idealista em fuga. Tem pânico de escrever sobre temas que têm ou tiveram uma relação com o real. A realidade torna-se realidade quando coexistem múltiplas descrições do mesmo evento, uma dimensão muito descrita (ao contrário da dimensão mental). Quantos mais testemunhos tem uma dimensão da nossa vida ou quanto mais esta é observada de múltiplos ângulos, menos é possível especular sobre essa mesma dimensão.

Para Ana, a violência e o político caracterizam-se por um excesso de observação. Fala muitas vezes de imaginação e criatividade como salvação. Não quer dizer que, naquilo que escreve, não evoque dimensões de realidade. Pelo contrário, evoca o real para marcar cicatrizes de subjetividade na sua pele. Factos e pessoas reais são chamados como cúmplices.

Caricato é que Ana Lama, muitas vezes, tenha medo de escrever sobre pessoas reais, e tenha um medo megalómano e mórbido de ser acusada de difamação.

É caricato porque, na verdade, não descreve factos negativos sobre as pessoas, nada que realmente leve alguém a confrontá- la. Mesmo assim, tem um prazer promíscuo ao esconder uma verdade que julga que a deixaria comprometida. A sua imaginação aumenta o impacto das coisas que a rodeiam.

Provoca-se na sua escrita, evocando a dimensão alheia da realidade, projetando a sua ficção na incompreensão dos outros como um ato egoísta, algo que lhe deixa os braços com pele de galinha, um medo narcisista mas que é incompreensível para o leitor.

Uma bola de papel amassada, pronta para ir para o lixo.

Chama à ficção questões que lhe metem medo, mas sempre com a esperança ou o desespero de que esse medo se dissipe. Essa chamada de atenção para o mundo da realidade vem com a vontade de o triturar. Quer propor à humanidade a impossibilidade jornalística, uma coisa bela e suave. Nesta atitude, percebemos uma inaptidão, como se fosse um mau funcionamento de uma máquina, um trauma e um medo do real, uma projeção.

Acedi a escrever este texto de divulgação de MAx Provenzano pensando: a curadora deste evento tem um trauma, não consegue cumprir com a sua obrigação, que é a de valorizar, por via da sua escrita, um artista que convidou porque tem medo de escrever sobre ele.

E eu penso — que fazer?

Chego a uma conclusão: devemos nós obrigar pessoas traumatizadas, alérgicas ao enfrentamento do mundo real, pessoas que, muitas vezes, têm dificuldade em lidar com o excesso de informação?

Uma bola de papel amassada, pronta para ir para o lixo.

Devemos nós obrigar pessoas, não falo de pessoas que sabem o peso que a realidade tem, a seriedade que tem, e que por estratégia relativizam, digo pessoas a quem falta um parafuso, digo pessoas que cognitivamente só veem o relativo? Por exemplo, alguém que está sempre a descascar a realidade, que entra num transe ao ver as camadas da realidade soltar-se, emaranhar-se, a perder o foco, relativizando mais do que tomando uma decisão, e percebendo-o, tendo dificuldades em aderir. Se alguém não consegue, por inaptidão, sair da relativização de tudo.

Se não aceita nem a maioria de vontade das pessoas que lhe são mais próximas, a sua moral coletiva, a moral dos seus próximos, aceitar a moral local pelo menos. Se não o aceita com confiança, o que se vai fazer?

Ana Lama já me confessou que prefere não aderir a padrões de moral porque não tem a certeza — tem medo de ser enganada pelas pessoas. Diz que, apesar de não aparentar, raramente tem uma opinião pessoal. Ela acha que sempre que fala é como um papagaio que repete coisas. Cospe ideias morais e conclusões sobre factos que não são ideias morais suas nem conclusões sobre factos suas, e que por isso não as pode assumir. São coisas que ouviu a amigos, em notícias, ou que leu em livros. Muitas vezes, discute em público, mas o que diz não é seu; o que fala é o vómito do excesso de informação, é uma tendência que está na sua mente, uma teimosia coletiva que se condensa na sua cabeça. É o melhor possível, mas é um vómito, não é seu — Ana Lama demoraria tempo de mais a pensar algo seu.

A Galeria do Pavilhão 31, um espaço dinamizado pela associação P28 e localizado no Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos, acolhe atualmente a exposição «Praça de Táxis e um Aeroporto», com obras de João Louro e José Jorge Monteiro. É neste ambiente que terá lugar a performance [Cargo].

MAx Provenzano explora o corpo e a resistência física, a relação entre o artista e o público, os limites da dor e a disponibilidade da mente. Formado em Química pela UCV, o seu processo artístico divide-se em duas dimensões, uma mais corpórea, com apresentações (de corpo) ao vivo, e uma mais de arquivo. Do ponto de vista da dimensão arquivista, produz coleções que fazem também parte de uma organização e investigação conceptual. Esta distingue-se pelo rigor analítico, refletido nas suas experimentações materiais. Frequentemente, estes são apresentados em formato de arquivos híbridos.

Após migrar para o México em 2017, MAx desenvolveu o projeto «(IM)PORTAR» em colaboração com o curador Pancho López, tocando questões migratórias. Influenciado por conceitos como o situacionismo e a dérive, cataloga dados e materiais que refletem as suas vivências.

No dia 21 de dezembro, podemos esperar também que a ação de Provenzano crie um diálogo com o realizador João Ramos, responsável pela documentação e pela criação de

uma videoperformance baseada nesta apresentação ao vivo. Será uma oportunidade para MAx Provenzano explorar, mais uma vez, a transitoriedade da matéria e a relação dinâmica entre o seu corpo, o espaço e a identidade.

Reabro a folha de papel e assumo o texto.

Minibio do realizador

João Ramos (n. 1991, Peso da Régua), descendente de angolanos, vive e trabalha em Lisboa. Formado em Fotografia e Vídeo pela ESART – Escola Superior de Artes Aplicadas, em Castelo Branco, e em Cinema – Imagem em Movimento, pelo Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, consolidou competências autorais em montagem, realização e fotografia. No seu processo laboral, recorre a diversos dispositivos, da imagem em movimento à fotografia. A dimensão ficcional e onírica da relação entre exploração sonora e captação visual remete para um mistério inerente ao seu trabalho. Além do mais, dedica-se à programação de cinema e à curadoria de artistas independentes em Lisboa, apresentando publicamente os seus filmes em sessões como «Jornal S/Título», «Cosmos», «Fuso» e «Batalha».